o corpo carrega calos e cicatrizes

todo o peso de tudo que tenta em vão esconder

e varrer por entre o vao da porta

 

esta tudo aqui agora

 

carimbado tatuado rasgado a faca e quase cicatrizado

 

sou umagrande cicatriz

de repente a cricatriz abre de novo e deixa escapar tudo de dentro de mim

o sangue as glandulas orgaos tudinho e minha pele é so uma capa jogada no chao ao lado de muito sangue e orgaos espalhados.

me procuroe vejo tudo ali, ossos, coração, intestino, tudo ali no chão exposto e ainda não consigo

achar

eu sumo e não consigo

 

tento engolir tudo de volta e não há

 

sou uma ferida exposta que dorme acorda e lhe diz bom dia

 



- Postado por: gipsycloud às 02h32
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novamente me deito e tinjo o lençól

púrpura

todo mes

a duvida me faz nova

descamo por dentro e troco a pele de fora

esperando que voce seja a forma mais facil de me fazer renascer



- Postado por: gipsycloud às 02h26
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salmoura

As pedras de sal desmancham na agua

o sal corta a pele e

o vento faz voar as espumas de sal

 

acaba o carro e os eletronicos

 

a maresia emprestia e nao nos deixa esquecer de noite

la fora ha um caminho imenso de pedras de sal e depois o abismo, oceano sem fim

azul azul como o ceu sem nuvens e nenhum sinal de chuva



- Postado por: gipsycloud às 02h21
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há barreiras que vem para o bem

tudo aquilo me fez querer ir a barreiras ver a lama que minha mae brincava quando era criança.

ela chorou quando eu lhe disse isso e eu fiz um filme em que ela não quis aparecer.

barreiras fica na beira do oceano, uma barreira de mangue areia e sal separando-a do mar

 

 

eu quis filmar os alfinins da praça tentando achar qualquer resto de açúcar que tenha sobrado da infância

para cortar o azedume que grudou nas canelas de minha mãe feito a lama e que o sal preservou feito nó no peito

 

esse peito que me deu leite e que apertou quando eu fui embora.

 

tento de manhã imitar as medidas do café com leite, sempre frio e muito doce

(que você até hoje ainda faz se eu pedir)

e bebo em um gole só,  procurando inconsciente a sensação que tinha quando tomava o seu leite

 

eu pequena fugindo com voces de lugar em lugar.

você acabou me dando muitos lugares pra voltar e ao mesmo tempo nenhum.

mas o seu lugar, aquele de onde você veio e de onde eu mesma vim também, não.

não sei se foi pelo leite ou pela amargura que você tinha às vezes quando pensava na palavra "casa"

acabei sempre procurando um novo lugar para ir

tentando achar esse lugar que espera que eu volte.

 

acho que nenhum deles, os tantos

espera isso tanto quanto você.

 

 



- Postado por: gipsycloud às 22h53
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perdida em um imenso aeroporto

todos os dias andava e corria pelas plataformas

procurando a hora a saída e o lugar

mas o terminal era imenso

e eu sempre acabava perdendo o trem.

 

hoje foi diferente.

fiquei nervosa como sempre quando chega o momento, perdi as passagens, os corredores e tive sim

que correr e tropeçar por entre as malas,

só que hoje eu cheguei a tempo, você me deixava no portão, ainda 30 minutos para entrar.

posso até dizer que foi estranho finalmente embarcar.

 

eu tinha um travesseiro confortavel e a paisagem vermelha ia cada vez mais rapido ficando pra tras.

o aviao decolava eu adormecia e enfim acordava.

minha bexiga cheia e o vento fazia bater a cortina q deixava o sol entrar e desenhar o lençól.

o despertador acho que tocava e voce ainda repousava sereno de olhos fechados ao meu lado.

 

acho que cheguei



- Postado por: gipsycloud às 21h59
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descamo

troco de pele

inflamo

puxo as cascas da ferida

e deixo cicatrizar

 

abro o livro

e os cadernos de uma vida inteira

as mesmas perguntas sem resposta.

tomo aquela cerveja com voce

choro

faço um filme e

pinto as paredes do quarto

 

listo as minhas tentativas no final do ano

 

por fim, observo meu corpo parado no canto da sala na esperança de que essa sensação que corre disforme em meu sangue

decante

espero com uma faca nas mãos

em vão



- Postado por: gipsycloud às 23h14
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para wim wenders - que nao me fez ver por uma polaroid

se perder na estrada parecia ser o melhor lugar pra se encontrar. qualquer lugar que nao conhecesse podia ser a certeza de que alguma hora se distinguiria daquilo que nao era si.

como quando se joga óleo na panela com agua. as bolhinhas se espalham longe e logo logo se juntam, certas de que sao um só.

por isso tiramos fotos  também. para provar a realidade que criamos sobre alguns momentos. e se hoje ainda posso guardar esses lapsos, imagens para sempre seja no vidro, grafite, silicio ou metal, ainda assim nao posso me talhar inteira, nem em madeira, in vitro ou pedra.

sou perecível como o tempo não parece ser.

corro em seu compasso, acho que a passos curtos demais, apreendendo talvez coisas de menos, tentando ver por entre essas grossas lentes de realidade, aquilo que não sou eu,  aquilo que me rodeia. é dificil ver a tenue linha que separa uma coisa da outra. por isso a madrugada parece às vezes uma saída certa. há aquelas em que nao há vozes e também as noites com vozes de mais.

diverte de mim, diversa a noite de versos se faz e se esvai, filtrando a manhã que tem aquele ar puro de certeza na vida, assim como é certo que o dia virá e que o papel não deixará o pó do café passar.

passa aquilo que interessa no final: o sol, o café e eu menos inteira agora, parecendo até um pouco menor, talvez por que defino melhor isso que gosto de chamar de fronteira existente entre nós dois, enquanto quebro pontes e redesenho umas outras.

O dia nasce mesmo. E o frio que nem tres cobertores davam conta era mesmo coisa de noite turva, que não me deixava ver que o frio era seu, por que também provoca essa coisa de confundir sentir e ver e o que sou eu ou voce.



- Postado por: gipsycloud às 05h38
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as palavras q não merecias

cresciam na mente

mas nunca nasciam da boca

alí

criavam apenas espaço vazio,

que só teu pau podia habitar



- Postado por: gipsycloud às 05h03
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im on the road to find out

a pregui'ca que o sol da tarde traz paira no ar, adormece sob nossos sorrisos tranquilos. a vida continua em algum lugar la fora. aqui os lencois brancos apenas transpiram nosso suor indiferente ao crash da bolsa, o tornado do dia primeiro ou a crianca que deixou sem querer o balao voar. remoo aquelas tardes que eram na verdade imaginarias. voce me dava um grao, eu cultivava o sonho. criei tempestades, os problemas alheios e a vida tranquila adentrando a nossa porta.

a casa ainda balancava, as vezes as luzes piscavam, o vento uivava. sinal de que a tormenta ainda estava la fora. dormiamos e acordavamos balancados pelo vento. ainda nao era o tempo de abrir as janelas, estender a roupa de cama, falar de cora'cao aberto sobre a vida. sonhavamos com esse dia em silencio, um do lado do outro, o silencio esperancoso transbordando no ar umido das madrugadas sem fim. (os dias nunca chegavam).

seus olhos cinicos tentavam me despistar... era dificil pra mim, o amor transbordando meus poros nao queria entender. pulsava a minha alma por voce. voce me mandava pra endere'cos errados, esquecia a hora, e eu perdia o rumo. passava as tardes embalada no seu cheiro, sorrindo na fila do pao e organizando nosso quarto longe da tempestade.

fiz casa, forro, comida, abrigo. vendi meus livros pq eram muito peso, doei as roupas de inverno e voltei a ouvir cat stevens.

mesmo assim vc foi. me deixou de saliva seca no canto da boca. as maos vazias e o sonho em cor viva na memoria, prontinho pra ser construido. nosso quartinho longe da tempestade.

voce saiu apressado aquele dia. disse que ia demorar, talvez nem voltasse. ouvi a palavra futuro nalgum instante. bobeira da minha cabe'ca talvez.

parecia preocupado com algo la fora. o crash da bolsa, o tornado, o menino. nao sei. minha visao era turva depois da janela.

 

 



- Postado por: gipsycloud às 05h32
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para nina (sonhos nao envelhecem)

 só abrir a página novamente. capitulo 7, segundo parágrafo. leio nossa historia de onde havia parado alguns anos atras.

o primeiro verso como se fosse a primeira vez que tenho seu cheiro em mim. melhor, como se nunca tivesse deixado de carrega-lo comigo.

hoje voce faz o cafe depois da nossa madrugada. eu ponho a cabeça no travesseiro feliz e espero vc me gritar.

o cheiro do seu cafe vindo da cozinha, a madrugada indo embora, o gosto do dia começando bem depois da janela da sala de tv.

 

por favor, fiquemos assim, nesse nosso fuso particular que criamos quando crianças ainda.

procura no teu armario empoeirado de livros roubados.

sei que ainda guarda nosso reloginho... sem ponteiros, sem numeros, sem pilha.

o vidro talvez ja rachado, apenas nossos nomes juntos. nosso proprio universo. nossa ciencia torta.

esse cliche que nunca deixamos de ser.

adormeço no seu cheiro de café. provavelmente sorrio no sofá.

vejo nossa casa de longe.

conversemos sobre ela durante o almoço.

 

 



- Postado por: gipsycloud às 10h40
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rio sozinha de novo. fiquei no casulo por um tempo. bordei minha mortalha à linha dourada. chorei a minha morte. me vesti de negro e acordei cedo todos os dias.

cada verso é um parto. cada dia, um parto.

tento com todas as forças escutar o mellotron que me acompanha. toca uma musica antiga e eu sei a letra de cór.

eu sorrio na rua cantando. eles nao escutam e pensam que sou louca.

 

olho pra trás. minha tumba, os acessórios, os quadros, os versos. todos cantando a minha morte. retiro cuidadosamente da parede aquela canção. preciso de mais uma caixa por favor.

hoje eu abri a janela e joguei as cortinas pesadas fora. comprei mais tinta e lavei os pincéis.



- Postado por: gipsycloud às 09h57
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e os dias demoram horas. pq cada minuto é degustado como se fosse o ultimo e isso demanda muito tempo.
e tudo passa depressa, muito rápido pq o que tem gosto é assim mesmo. e eu fico fraca, como se com vc fosse minha força de ficar em pé.fatalmente ficarei de cama o resto dos dias sem saber o que fazer com esse seu cheiro que impreguina o ar do quarto. acompanho com os olhos o tempo, e com o canto do olho vejo seu cheiro se esvaindo devagar pelas frestas da janela.

eu nada posso fazer. talvez amanhã consiga levantar.



- Postado por: gipsycloud às 11h16
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ai ai, voando por ai, andando na areia como se quinteto violado fosse tocar na outra esquina em meia hora. da pra pular, de saia rodada me jogar no mar, chamar janaina pra ver, vou ate cortar meu cabelo, ela vai gostar. hoje acordei meio indio, sem roupa no dia nublado cheio de vento de tempo. como se pudesse nao ter mais quase vinte anos....

- Postado por: gipsycloud às 10h00
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que meu sapato sempre seja pequeno e que eu nunca tenha medo de chuta-lo,

de encontrar mais mundos amplos e frescos como tardes de quarta-feira,

e que eu sempre cresca e zombe da de mim mesma e da quarta feira passada.

vou me cansar do presente de tao pequena que a tarde é. correr nos rios e descobrir dias implicitos, andar por essas nuvens

fazer minhas lagrimas lavarem tudo isso numa ciranda muito comprida, e tudo vai ser grande de novo para as pessoas e nesse instante elas vao viver.

nem que morram para a vida no proximo. eu vou fazer isso pq sou grande. posso tudo - ate descobrir me subitamente pequena de novo de molho na palma da mao.



- Postado por: gipsycloud às 09h12
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fazia muito sol para ser setembro. falavam até em aquecimento global e furo na camada de ozonio.
mas hoje ficou nublado o dia todo
aquele vento todo, parecia até que o dia tinha perguntado como eu me sentia pra se vestir também. talvez por compaixão, dó, consolo. falta do que fazer.
em silêncio andei o caminho todo; desci os cinco lances de escadas cheias de folhas, atravessei a rua movimentada. corri para o ponto de carona. olhei de novo pro relógio. 20 minutos atrasada. mas era um dia tão cinza que eu nem sabia mais para quê. o vento foi me engolindo naquela solidão, aquele dia úmido como o meu quarto, minha vidinha sem mais nem mísera razão, o trabalho todo na mesa por fazer... inútil, assim como o resto do meu dia.


Acordo de novo com a buzina do carro. o rapazinho me sorri duvidoso que eu estivesse ali naquele momento.
(eu nao estava). Estava tão sorridente que eu até fiz cara feia. na metade do caminho, desisti da carona. talvez daquele ar florido que escapava de seus caixos e sorriso bobos. eu era toda cinza e quase má aquela hora do dia.
de noite choveu gelo. granizo. pedra. inúmeras bolinhas de gelo atacando os andantes.
como se meu céu chorasse de um jeito quase cruel



- Postado por: gipsycloud às 17h34
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Marilia
28/02/1989
mariliamcabral@yahoo.com.br





passou mas ficou

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